A cultura devora a estratégia no café da manhã

A cultura devora a estratégia no café da manhã

Vinicius Donderi
Sócio e Diretor de Criação

Formado em Publicidade e Propaganda. Na BTHK, é responsável por dar vida a estratégias e planejamento, transformando vidas e gerando resultados.

“A cultura devora a estratégia no café da manhã”, já dizia Peter Drucker. Muitos artigos trabalham a frase de Drucker para dissertarem sobre a cultura das empresas. No entanto, proponho outra reflexão aqui: até que ponto estratégias e suas evoluções são mais relevantes que a cultura da população?

Estamos em uma corrida contra o tempo. E por mais que tentemos, a tecnologia sempre está à frente e parece que dificilmente vamos alcançá-la. Enquanto o mercado mundial avança na otimização de processos usando inteligência artificial, assistente de voz e outras soluções, o Brasil se mostra um país extremamente competitivo, mas muito atrasado em termos de inovação.

Diante disso, uma parcela de innovators luta para diminuir o atraso entre nós e os países mais desenvolvidos, mas encontram sempre uma barreira criada por empresários que relutam em utilizar as novidades, sejam elas tecnológicas ou estéticas e criativas. Mesmo quando “aceitam” é por necessidade, não por curiosidade ou desejo de inovar. Mas até chegar à aceitação, a inovação já se tornou obsoleta.

Quando falamos de estratégias, pensamos em aliá-las ao uso da tecnologia. Cruzamento de dados, otimização do tempo, automação de processos que até então eram feitos por pessoas, hoje são facilitados e, por isso, economizamos muito tempo, algo escasso hoje em dia. Mas temos muito mais que isso, já é possível automatizar respostas para clientes, proporcionar resultados claros, buscar as melhores oportunidades, analisar o comportamento do consumidor e concluir quais estão mais propensos ao consumo de determinado produto e quando pretendem comprar.

O Brasil realmente está bem atrasado. Mas até que ponto é por seu status de país em desenvolvimento? Além de fatores econômicos e políticos, quais outras variáveis macroambientais têm influência nisso?

Boa parte da resistência das empresas brasileiras é causada, principalmente, por conta dos altos investimentos nas soluções e em seu gerenciamento. Mas onde entra a cultura e os hábitos brasileiros? Por sua grande extensão territorial e seu contexto histórico e social, nenhum dado é capaz de entender as nuances da cultura brasileira. Nenhum computador absorve emoções. Cultura é um fator complexo que envolve gostos, comportamentos, histórias e suas linguagens específicas. As marcas (pensando em faturamento, share de mercado, awareness) devem, antes de todo e qualquer uso da tecnologia, conectar-se com seu público, para assim emocionar e gerar engajamento e resultados reais, afinal, publicidade é conexão e emoção.

A tecnologia gera dados e informações importantes para o mercado. Mas podemos dizer que esse é apenas o start do processo de criação de uma campanha. As experiências com o público, pesquisa de campo e criatividade são os elementos que tornam a mensagem clara e adequada para o público. Dados devem contribuir para os insights. A criatividade e o fator ser humano devem ser sempre o principal motor para a criação.

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